Por uma aprendizagem do século XXI

Por uma aprendizagem do século XXI

De que forma podemos garantir que todas as crianças brasileiras tenham educação de qualidade? Ao refletir sobre este tema, não há como excluir um dos principais sujeitos envolvidos no processo: o aluno. As escolas e todos os educadores precisam priorizar a aprendizagem e o bem-estar dos alunos como objetivo máximo, sabendo que os alunos do século XXI exigem uma educação com estratégias e recursos que acelerem seu processo de aprendizagem e que, ao mesmo tempo, seja instigante e prazeroso.

Ao falarmos em século XXI, é impossível não mencionar os avanços tecnológicos e estes estão cada vez mais presentes na vida dos alunos. Estes avanços fazem parte da própria evolução do homem, seja no uso de tablets, dos celulares, dos televisores, dos smartphones ou dos iPods. A tecnologia é parte frequente da vida do aluno, exigindo dos professores cada vez mais dinamismo e que sejam utilizados tais recursos no processo de aprendizagem.

Quanto à aprendizagem, há estudos recentes na área das neurociências da educação que também apontam para a importância do uso da tecnologia, apontando descobertas ligadas à aprendizagem e à gamificação, por exemplo. As neurociências da aprendizagem abordam a questão de como o cérebro aprende, exploram a ideia de como os estímulos chegam ao cérebro, além de como as informações são armazenadas. O cérebro é um órgão misterioso e, quando conhecemos o seu funcionamento, criar novas estratégias para a aprendizagem se torna mais fácil. É comprovado cientificamente, por exemplo, que o cérebro aprende a partir da interação de conexões inter-relacionadas dos sentidos, como a visão, a audição e o tato, por exemplo.

Neste contexto, como pode ser possível criar um processo educacional mais moderno? A resposta para tal questão poderia ter grande complexidade. Entretanto, um primeiro passo pode ser bastante simples: a educação moderna precisa acompanhar os avanços tecnológicos para dialogar com as linguagens dos alunos destas novas gerações. Para que isto ocorra de forma efetiva, é necessário oferecer uma boa formação aos professores, incluindo o planejamento compartilhado, propostas desfragmentadas, exemplos de aprendizagens significativas, vivências, experimentos, ludicidade e interatividade, além de novos materiais.

No âmbito educacional brasileiro, há uma série de projetos inovadores que estão sendo implementados e que utilizam as novas tecnologias com atenção aos estudos atuais de como o aluno aprende. Estes projetos trazem ludicidade na aprendizagem e tornam as aulas mais significativas, como o projeto Conecturma, entre outros. Eu tive a oportunidade de vivenciar a implementação desta metodologia durante um ano letivo em uma turma de alfabetização inicial. O projeto foi um sucesso para as crianças, que aprenderam brincando, com a utilização de jogos, músicas, vídeos, atividades lúdicas e significativas, tudo integrado a partir de uma plataforma gamificada. Utilizando o projeto, foi possível fazer uma boa relação com o currículo, de uma forma interdisciplinar – todos os conteúdos estavam conectados. Além disso, havia uma relação com as famílias, que se aproximavam da escola. Além disso, os professores participantes tinham encontros e trocavam também experiências a distância, compartilhando saberes e estratégias utilizadas em sala de aula.

Com relação ao questionamento inicial, é, sim, possível garantir educação de qualidade para todos os alunos brasileiros: com professores bem formados e capacitados, bons materiais, uso da tecnologia, estímulo à aprendizagem e parceria entre escola e família.

 

Artigo da Professora Mônica Rozales. Mônica é professora dos Anos Iniciais há 12 anos. Atualmente, atua em Laboratório de Aprendizagem na prefeitura de Viamão, atendendo a alunos com necessidades especiais e dificuldades na aprendizagem. Ela é graduada em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional e especialização em Supervisão Educacional.


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