Por que “gamificar” a Educação?

21. março 2016 Artigos 1
Por que “gamificar” a Educação?

O Brasil tem 1,5 milhão de jovens entre 15 e 17 anos fora da escola, principalmente por desinteresse, e 45 milhões de pessoas usando jogos digitais. Se uma das principais queixas dos professores é a desmotivação e a indisciplina dos alunos, crianças e jovens nem piscam enquanto estão jogando. Não precisamos adorar os games para entender que “gamificar” o processo de aprendizagem pode ser uma boa estratégia. Mas o que significa gamificar a educação?

Gamificar significa utilizar dinâmicas, características e arquiteturas presentes nos jogos para promover comportamentos em outros contextos. Não se trata de, necessariamente, usar jogos _ digitais ou não _, distribuir pontos ou outros incentivos. As melhores experiências de gamificação aproveitam elementos como a curiosidade, a permissão para falhar, o feedback imediato, a colaboração entre jogadores, a apresentação de novos conteúdos por meio de histórias e desafios contextualizados e o sentimento de controle na tomada de decisões para motivar, estimular comportamentos desejados e promover descobertas.

Ao jogar, aprendemos algo novo para “passar de fase”, desenvolvemos habilidades para resolver problemas, reconhecemos a necessidade e o valor do esforço, da persistência e da criatividade para aniquilar vilões ou desbloquear universo. Temos de compreender sistemas de regras para conhecer, experimentar e compreender algo novo; sentimos emoções diversas, como alegria, curiosidade, frustração e orgulho; socializamos, competimos, colaboramos e desenvolvemos a empatia ao assumir novas identidades e perceber diferentes perspectivas apresentadas.

A educação ainda não se convenceu de que novas tecnologias, gamificação, storytelling transmídia e outros elementos são realmente válidos. Nós, educadores, podemos escolher continuar evoluindo lentamente ou abraçar a inovação para redesenhar e ressignificar rotinas e processos, levando nossos alunos a compreender a importância social da Escola. A gamificação da educação é uma das melhores estratégias atuais para que nossos jovens voltem a se apaixonar pelas aulas e pela escola.

 

Artigo originalmente publicado pelo Rafael Parente no jornal Zero Hora em 12 de Setembro de 2015


1 thought on “Por que “gamificar” a Educação?”

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    Paulo William on 12/09/2016 Responder

    O tema sem dúvida é importante se, somado a outras tendências como o ensino hibrido, personalização, plataformas adaptativas… podemos inovar nas escolas… o que as pessoas precisam levar em consideração é que mudar a rotina do professor não é difícil, difícil é garantir tempo para o professor se preparar para essas mudanças. O situação atual de profissional “horista” precisa mudar. Tomemos como exemplo um profissional que trabalhe 16 horas por dia, mais 6 horas de sono e 2 horas de refeição e transito, totalizam 24 horas. Pense que nessas 16 horas de trabalho o profissional pode atender no minimo 8 turmas, contando que a média de alunos hoje é em torno de 36 alunos, somamos então: 288 alunos\dia, se ele for professor de Língua Portuguesa e por semana pedir uma pagina de atividade por aluno são 288 páginas de texto para ler e refletir no pensamento do aluno, fazer revisão textual, observar o desenvolvimento e argumentação de 288 mentes diferentes… (parando por aqui…) sabemos que esse “professional horista” se for comprometido, terá além de planejamento de aula, preparação de atividades, exercícios, tarefas de reforço, recuperação paralela pautada na individualidade de cada um, formação continuada em EAD e 288 páginas de atividades para corrigir, além é logico de cuidar de sua casa, família, descansar e tirar um lazer. Não sou pessimista e longe de ser mas me preocupo com a realidade do professor brasileiro e mais ainda com a qualidade da aula que os alunos brasileiros estão recebendo todos os 200 dias letivos do ano. Então é provável que gamificar o ensino seja um recurso interessante. Quero conhecê-lo melhor.

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